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DECLARAÇÃO POLÍTICA DA UCID SOBRE O DESENVOLVIMENTO DAS ILHAS

Cabo Verde, vem assistindo nos últimos três anos da governação do MPD, um crescimento econômico médio a volta dos 4,5% do PIB, o que, tendo em conta os números dos anos anteriores da Governação do PAICV, deveria servir para nos regozijarmos e rejubilarmos, caso houvesse uma relação direta entre o crescimento verificado e o desenvolvimento ambicionado pelo Povo.

 

A não existência desta relação direta entre o crescimento e o desenvolvimento, deve ser para nos da UCID, motivo de questionamento sobre o verdadeiro significado do crescimento econômico verificado nos últimos três anos, já que o mesmo não se apresenta capaz de criar empregos, melhorar a vida dos Cidadãos, melhorar a qualidade da saúde, aumentar o numero de jovens nas Universidades, permitir aos Cidadãos assumirem as suas responsabilidades, permitir ao próprio Estado, também, assumir as suas responsabilidades básicas sem que para isso tenha as mãos estendidas para apoios financeiros vindos do exterior, etc., etc..

O regime pluviométrico dos 2 últimos anos não pode servir de desculpas para não se ter o impacto necessário com o crescimento da economia Cabo-verdiana. E não pode, porque segundo os dados do sector primário da Agricultura, este, representa, em função do período, um valor que oscila entre 5,7 % ( 2017), 7,73 % (2016) e 7,6 %     ( 2015), do produto interno.

O mais importante aqui, e esta é a essência da nossa declaração politica, é saber se as medidas de politicas tomadas pelo Governo do MPD estão ou não suficientemente amadurecidas para se poder responder afirmativamente as exigências de toda a sociedade civel Cabo-verdiana.

Precisamos saber se a estrutura em que se baseia esta politica é suficientemente flexível para em casos de calamidades naturais, encontre outros eixos de desenvolvimento, capazes de manter e fazer crescer ainda mais o emprego nas Ilhas. Para isso, a visão do Governo deveria ser suficientemente astuta para que outros setores da nossa economia possam em caso de quebra de um setor importante como é o da Agricultura poder suster esta mesma queda.

E aqui, e, porque os nossos Agricultores, muitos deles, são também homens do mar, questionamos, o que se tem feito para o sector das pescas, que poderia, perfeitamente em tempos difíceis, compensar as famílias. Todavia, porque a Agricultura pode ser desenvolvida com a captação de aguas subterrâneas, perguntamos, o que tem feito o Governo de forma convincente para que esta mobilização cubra em parte a falta de agua das chuvas? 

Os poços artesianos que continuam a espera de equipamentos para se poder disponibilizar o precioso liquido para o desenvolvimento da agricultura e consequentemente aumentar o rendimento destas famílias, tarda em acontecer. Exigimos ao Governo para que rapidamente equipe estes poços permitindo assim a disponibilização da agua. 

As secas de 2017 e 2018, deveriam ter servido para mostrar as vulnerabilidades do mundo rural, e consequentemente encontrar as respostas necessárias a estas mesmas vulnerabilidades.

Infelizmente, o que temos assistido, é que face a falta de uma sociedade civil forte e bem organizada, capaz de exigir e pressionar o Governos, o mundo rural vai sofrendo na pele as intempéries do destino. 

A UCID, que por diversas vezes, tem apontado soluções nesta casa parlamentar, não entende as razoes que levam o Governo a fazer tabua rasa destas mesmas soluções, quando se sabe que em outras paragens do globo estas foram utilizadas e com sucesso. 

O bom senso manda-nos a sermos razoáveis, e a experimentar as tecnologias existentes que desconhecemos, para só depois, em caso de não sucesso, o rejeitarmos. O comportamento do Governo nesta matéria tem sido muito questionável e quiçá prejudicial para muitas famílias. Urge pois uma analise serena e profunda do sector agropecuário, há pouco centrado nas construções de barragens para a mobilização de agua e o consequente agronegócio, para que se encontre as falhas e as consequentes reparações.

A montagem de um sistema complexo, envolvendo todas as valências necessárias para o cabal desenvolvimento do sector agropecuário é possível, mas deve ser feito com todo o cuidado necessário para se evitar que em pouco tempo tenhamos outra vez de repensar o percurso. 

Senhor Presidente da Assembleia Nacional,

O sector primário da nossa economia é extremamente importante, mas incapaz de, sozinho fazer fixar as populações nos diversos pontos agropecuários das Ilhas, por não conseguir criar empregos sólidos e bem remunerados.

A UCID entende ser fundamental a procura de outros vetores de crescimento econômico , capazes de potencializar o desenvolvimento que os Cidadãos esperam. É fundamental que o Parlamento coloque em cima da mesa estes debates para que não fiquemos eternamente na esquina a espera que as coisas aconteçam de forma errada para depois utilizarmos tudo isso para ataques partidários.

Se quisermos contribuir todos, de forma decisiva para o desenvolvimento de Cabo Verde, é tempo de sentarmos a mesma mesa com a camisola de Cabo Verde, independentemente do partido que pertencemos, cada um com a sua visão, e encontrarmos o melhor para este Povo.

A sociedade civil está a espera para que apresentemos soluções, antes que sejam eles a fazé-lo. Os sinais que se vão dando aqui e acolá, devem ser levados a sérios, e são sinais de que realmente o crescimento econômico dos últimos três anos não tem sido o suficiente para levar um pouco do bem estar às famílias. Se é esta a realidade, o que estará então a falhar?

Do ponto de vista da UCID, a solução que colocaríamos na mesa seria, a juntar os já existentes, a industrialização do Pais. Definir claramente que politica neste sector e consequentemente trabalhar no sentido de mobilizar todos os recursos necessários para o efeito.

O caminho da industrialização do Pais irá trazer as valências que faltam a nossa economia para que ela seja capaz de crescer muito mais e transformar o crescimento econômico em desenvolvimento econômico sustentável.

Uma das valências importantes seria o surgimento de uma sociedade do conhecimento e da economia digital capaz de catapultar os Jovens Cabo-verdianos para o verdadeiro mundo tecnológico.

Perdemos algum tempo, mas ainda vamos a tempo de recuperar o tempo perdido. Não podemos continuar a espera que as coisas por si só mudem. Precisamos agir em todas as esferas da nossa sociedade para que a tão almejada felicidade chegue ao lar de todas as famílias.

Disse.

 Proferida pela Deputada da Nação, Dora Pires, no Parlamento, no dia 31 de Maio de 2019