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Discurso da UCID proferido na cerimónia do 44º aniversário da Independência de Cabo Verde

Quarenta e quatro (44) anos passados desde o alvorecer do dia maior da nossa história, aquela que nos colocou na senda de pais livre, independente e nação detentora de poder para traçar livremente o seu destino, assinalamos esta memorável data do 5 de julho, dia da nossa Independência Nacional.

Senhor Presidente da República de Cabo Verde, Excelência

Senhor Presidente da Assembleia Nacional, Excelência

Senhores Ex-Chefes de Estado da República de Cabo Verde

Senhor Primeiro Ministro

Senhor Ex-Primeiro Ministro

Senhoras e Senhores Deputados

Senhoras e Senhores Ministros

Senhor Presidente do Tribunal Constitucional

Senhora Presidente do Supremo Tribunal de Justiça,

Senhor Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial

Senhor Procurador Geral da República

Senhor Presidente do Tribunal de Contas

Senhor Provedor de Justiça

Senhoras e Senhores Combatentes da Liberdade da Pátria

Senhor Presidente da Câmara Municipal da Praia

Senhoras e Senhores Embaixadores

Senhoras e Senhores Representantes do Corpo Diplomático

Senhor Chefe do Estado Maior das Forças Armadas

Altas Entidades Civis e Religiosas

Altas Entidades Militares e Policiais

Senhoras e Senhores Jornalistas

Minhas Senhoras e meus Senhores

Ilustres Convidados.

         Quarenta e quatro (44) anos passados desde o alvorecer do dia maior da nossa história, aquela que nos colocou na senda de pais livre, independente e nação detentora de poder para traçar livremente o seu destino, assinalamos esta memorável data do 5 de julho, dia da nossa Independência Nacional.

          Às gentes das Ilhas, aos cabo-verdianos daqui e da diáspora parabenizamos com aquele abraço caloroso e fraterno, a todos envolvendo, neste ritual com que nos rejubilamos por sermos Povo livre e independente.

          A todos os convidados, nacionais e estrangeiros que dignam marcar com a sua honrosa presença este solene ato comemorativo do quadragésimo quarto aniversario da nossa independencia nacional as nossas cordiais e amistosas saudações.

         Aos principais protagonistas, aos patriotas que se entregaram direta e heroicamente, à luta armada com que a ferro e fogo libertaram Cabo Verde do jugo e da dominação colonial todo o nosso preito, reconhecimento e eterna gratidão.

VIVA O DIA 5 DE JULHO!

         Que nunca se esqueça o termos sido Povo que nos 500 anos que antecederam a nossa independência, viveu sob um regime esclavagista e colonial português que nos deixou exangues, depauperados e desnutridos, vítimas que fomos de tratamento desumano, exploração desenfreada no trabalho, racismo, fome e obscurantismo.

         Com o devir da independência “un mundo nove kunki na porton di nos ilha, un nove Sol raia na orizonte”, fez-se História para o povo das ilhas!

          Entre nós da UCID, dessa história, retemos uma memória abundante de situações desumanas que por demais conhecidas, aqui e agora não merecerão qualquer enfoque.

         Como dizia o trovador, “ istoria ke ja pasa no ta po-l nun konte a parte!”    

          Porém, desde que se proclamou a Independência Nacional, em tempos do Partido único, de plantão e atentos ao evoluir da situação social política e económica do País, pautamos a nossa actividade partidária alertando para os desmandos e os erros que se cometiam, para as arbitrariedades que persistiam, situações que com o advento da democracia como que se sofisticaram contribuindo sub-repticiamente para o desnorteamento que vem caracterizando práticas governativas que se pretendem reestruturantes, e que manifestamente são propulsionadoras de um desenvolvimento atrofiado, que na pratica, nos condena a um crescimento insustentavel.

          Nós, da UCID, União Caboverdiana Independente e Democratica nos perfilamos como Partido político na oposição há mais de 40 anos e temos conseguido manter a nossa atividade em prol da liberdade e da democracia, graças a adesão de patriotas que, com os pés fincados no chão destas Ilhas ou experienciando na diáspora vivências de paises outros em que a governança se exerce em perfeita concordância com as especificidades e realidades nacionais, discordamos de processos e modelos de gestão do bem comum ou da coisa pública que em nada contribuem para fazer Cumprir Cabo Verde.

Senhor Presidente da República,

Senhor Presidente da Assembleia Nacional,

      Decorridos quarenta e quatro anos, a UCID não concorda, nem aceita que o nosso pais se mantenha com um rumo mal traçado, seguindo um roteiro que nos desnorteia e um guião repleto de projetos, estudos, simpósios, fóruns, workshops, experiências e ensaios, que nos transforma em cobaias, uma vez que confrontados com a realidade prevalecente, não passam de meros exercícios de start up e virtualidades para iludir os incautos.

          Graças a financiamentos e apoios disponibilizados por países, organismos, e instituições financeiras internacionais, Cabo Verde, país que desde os primordios da independência se via como nação condenada a fracasso, nos dias de hoje tende a afirmar-se como pais de sucesso. Algo foi feito e a olho nu não se pode negá-lo. Os sucessivos governos obrigaram-se a isso, e para isso foram mandatados por vontade do povo que os elegeu.

          No entanto, as estatísticas, os indices de referência, os indicadores, os resultados de pesquisas e sondagens de opinião com que somos confrontados e que são motivo de euforia para o governo, deixam com o credo na boca o povo das ilhas que no dia a dia passa por agruras e privações de vária   ordem e não vê melhorias no seu bem-estar e qualidade de vida.

      A UCID embora reconheça os feitos, jamais se coibiu de denunciar e criticar aquelas situações de má governação em que grande parte dos recursos financeiros disponibilizados, se consomem e se dissipam em execuções de projetos, quais deles o mais inconsistente, inconsequente e insustentável.

          Vemos e constatamos aqui e além, arranha-céus de loucura, castelos de areia, exorbitâncias gastas em ninharias, semear em pó confiando na chuva que não cai, irresponsabilidade nas opções cozinhadas em panelinhas partidárias, que acabam por criar situações que atolam o pais, não deixando que ele avance para patamares que o posicionem num almejado nivel de desenvolvimento e bem estar, reclamado por todos os caboverdianos.

Caros Concidadãos,

Sendo o Parlamento o fórum em que se deve fazer ouvir a voz dos legítimos representantes do Povo e tomar decisões, as mais importantes, para influenciar e potenciar positivamente as medidas a adotar para satisfazerem os reais interesses da Nação, lamentamos que interpares prevaleça a falta de consenso, o desrespeito pelo direito a discordância, chegando a ponto de passarmos uma imagem completamente distorcida e pouco dignificante da Instituição.

Deve-se por todos os meios salvaguardar a dignidade e a integridade dos atores políticos e ter em conta que qualquer representante democraticamente eleito pelo Povo cumpre o patriótico dever de tudo fazer para de acordo com a Constituição e demais leis da República salvaguardar todos os interesses nacionais, independentemente de opções e quezílias partidárias.

        

Minhas Senhoras e meus Senhores,

          Urge repensar políticas outras e queira Deus que a classe política possa atuar imbuída de espírito patriótico e dedicação, empenhada seriamente na construção de um futuro que propicie a Nação Caboverdiana condições para a realização dos seus mais legítimos anseios de justiça social, paz e prosperidade.

         O povo das ilhas exige um desenvolvimento diferente para o povo das ilhas um desenvolvimento que se traduza em iniciativas empresariais geradoras de emprego e riqueza.

          Um desenvolvimento integral e sustentável que nos liberte de liames de pobreza, dependência externa e volumes de endividamento, endividamento que pode concorrer para privar-nos do   nosso direito a independência, para hipotecar o nosso futuro e a esperança das futuras gerações.

          A sustentabilidade do país, a sua viabilidade como Nação e o seu desenvolvimento, pode manter-se um sonho irrealizável se a governação continuar com políticas que levam a que o Fórum Economico Mundial num dos seus relatórios, o posicione, no que se refere a ambiente de negocios e competitividade, no nível 110 do grupo de 138 paises considerados os menos competitivos do mundo.

          Urge Cumprir Cabo Verde, confrontando o pais com a sua realidade, tal qual ela é, com a orográfica territorial, com a diminuta população, com o exíguo mercado, com os parcos recursos, com uma classe empresarial incapacitada de se integrar em sectores financiáveis por investimentos diretos estrangeiros, e uma economia que peca por ineficiência, falta de produtividade e de competitividade.

          Nesses quarenta e quatro anos de independência e no que toca a nossa realidade social ainda temos um longo caminho a percorrer. Exige-se mais e espera-se muito mais.

         Concluindo, diríamos que Cabo Verde como pais frágil e dependente exige da governação todo o realismo e pragmatismo, uma pausa, uma profunda reflexão e serenidade, para reavaliar e fazer o balanço das políticas desenvolvidas, as quais não habilitam nem capacitam o Estado a construir a base social e económica para a sua viabilidade e sustentabilidade.

Mudar o rumo é necessário porque devemos e podemos fazer mais e melhor.

- VIVA O QUADRAGÉSIMO QUARTO ANIVERSÁRIO DA INDEPENDENCIA NACIONAL !

- VIVA O POVO CABOVERDIANO !

- VIVA CABO VERDE!

                                                                             Disse.

                                                  UCID, Na – ASA, 5 de julho de 2019