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UCID volta a pedir em declaração politica a criação de condições e reconhecimento do contributo dos militares de 1975

No mês de março, do corrente ano, subíamos a este púlpito para fazer uma declaração política abordando a vivência dos Cidadãos caboverdianos que em 1975, ano da nossa Independência, abraçaram a nossa causa maior, que de forma voluntária entravam para as fileiras das nossas forças armadas, fazendo parte daqueles que hastearam a Bandeira Nacional e mantendo de prontidão as condições mínimas da Defesa Nacional.

Passados todos estes meses, eis-nos hoje, mais uma vez, a fazer ecoar as mesmas palavras da declaração política da altura para reforçarmos, politicamente, a ideia de que aqueles que serviram e servem a Pátria não deverão nunca ser esquecidos.

A Pátria é mãe, e como tal, não pode nunca olvidar os feitos dos seus filhos, principalmente aqueles que em momentos difíceis na vida do Pais foram de livre e espontânea vontade colocar-se à disposição das Ilhas as suas próprias vidas.

É de todo interessante aqui relembrar, que naquela altura, as condições eram, muitas vezes, indiscritíveis, dado a grande fragilidade socioeconómica que Cabo Verde se apresentava.

Os jovens, de então, não olharam para o que o Pais poderia lhes dar, mas sim, deram tudo o que tinham ao País ao ponto de uma parte deles terem hipotecado o seu próprio futuro.

Passados todos estes anos, quarenta e quatro, pensamos ter chegado a altura de se reconhecer este feito heroico destes soldados que na ânsia de terem um Pais Independente não pouparam esforços, posicionando-se ao lado de uma parte significativa dos caboverdianos na época que almejavam a Independência.

Deram tudo de si e nada receberam em troca!

Move-nos enquanto Partido Político, e ao mesmo tempo, enquanto, Cidadãos deste País, o reconhecimento deste feito, que consideramos nobre e de muita valentia.

Trata-se de uma atitude sublime que deve merecer o destaque necessário, para que outros Jovens, agora, possam tomar como referência, em momentos ímpares, a atuação dos que hoje, Senhores de cabelos brancos, que ontem foram Jovens, cujo a única vontade/desejo era a defesa e a soberania do Povo das Ilhas em todas as suas vertentes, deixando para segundo plano as suas ambições pessoais.

Senhor Presidente da Assembleia Nacional,

O Pais que hoje temos, não é nem de perto nem de longe o que tínhamos ontem, pois só para se ter uma ideia, em 1975 tínhamos um produto interno bruto que rondava os cento e trinta milhões de dólares Americanos. Hoje este mesmo PIB ascende a valores que rondam os 2 mil milhões de dólares, isto é, cerca de 15 vezes mais ao que era na altura.

É um feito extraordinário, e tudo isso, teve a colaboração sem sombra de dúvidas destes Jovens soldados de então.

Atualmente, alguns destes Cidadãos passam por situações difíceis, quer a nível económico, quer a nível da saúde. Chegamos a ter alguns destes Cidadãos a viverem junto à porta da Igreja, por não terem outra alternativa de vida.

Outros há, que devido a falta de saúde estão a passar por situações muito delicadas.

Nós, Cabo Verde, temos uma dívida para com estes Cidadãos que, infelizmente, ficaram fora do leque da proteção mínima que outros, na mesma circunstância conseguiram ter.

Não estamos aqui a exigir nada que o Pais não possa dar! Ainda ontem, nesta casa parlamentar, debatíamos para ser votado hoje, um projeto de lei que visa reconhecer aqueles que deram uma contribuição de excelência à luta da liberdade e da Democracia.

Reconhecemos justeza neste projeto de lei, assim como reconhecemos de forma redobrada a necessidade de se dar também a estes Cidadãos, pela entrega e pelo engajamento à causa da defesa e soberania, o mesmo tratamento.

A UCID entende que, o que se passou no período de 1974, 1975 e 1976, não pode servir de pretexto para não se reconhecer, 44 anos depois, a entrega e dedicação dos muitos Jovens que, de forma espontânea, resolveram colocar as suas vidas na defesa da nossa terra.

Todos sabemos que o regime de partido único deixou marcas indeléveis que a medida que o tempo vai se passando exige uma atenção especial, para não corrermos o risco de deixar tudo para ser consumido pela História, ficando a justiça e o reconhecimento por fazer.

E aqui, gostaríamos de alertar para outros casos de cidadãos que tendo servido este país enquanto Militares consideram-se injustiçados, já que tiveram tratamento diferenciado, na altura em que passaram para a vida civil, fazemos um apelo ao Governo, para que junto do Ministério da Defesa indague sobre estas possíveis injustiças e se reponha a normalidade.

O nosso País só tem a ganhar ao eliminar paulatinamente, em cada sector da nossa vida, as mazelas herdadas do nosso passado histórico recente.

As injustiças agirão sempre como um travão ao desenvolvimento de Cabo Verde e não permitirão que o comum dos Cidadãos se sintam protegidos das arbitrariedades do Estado, e, consequentemente, o inibirá de colocar toda a sua capacidade ao serviço da Nação.

Temos a obrigação e o dever, a partir desta casa Parlamentar, de criar as condições necessárias para que os Cidadãos vítimas destas mesmas injustiças e arbitrariedades, enquanto ainda estiverem vivas, sintam que nós, enquanto Representantes do Povo, demos a devida atenção a resolução dos seus problemas.

Terminaríamos essa nossa comunicação, reforçando uma vez mais, a semelhança do que tivéramos feito na declaração política de março, deste ano, que a petição entregue ao Parlamento cabo-verdiano e aos Partidos políticos com representação parlamentar seja dado o devido tratamento, concedendo assim dignidade aos ex-militares, que se prontificaram de forma voluntaria a servir o País numa altura em que mais precisávamos e com o vazio da lei.

Merecem todo o nosso respeito!

Disse.